A semana em 5 minutos
- Sonora Capital
- 22 de jun. de 2024
- 4 min de leitura
Atualizado: 6 de jul. de 2024
“Quando os fatos mudam, eu mudo minha opinião.”
- - John Maynard Keynes
A semana foi marcada pela reunião do Copom, que decidiu manter a taxa Selic em 10,50% ao ano, interrompendo temporariamente o ciclo de queda da taxa. Esse resultado já era esperado pelo mercado. No entanto, a unanimidade dos nove membros em manter a Selic inalterada surpreendeu e teve um impacto positivo na percepção do mercado.
Na reunião anterior, houve uma divergência entre os membros: quatro votaram por um corte de 0,50% na taxa, enquanto cinco preferiram um corte menor de 0,25%. Essa diferença de opinião gerou apreensão no mercado, que temia a influência de fatores não técnicos nas decisões de juros.
Mesmo assim, o Copom, de forma unânime e técnica, transmitiu uma mensagem de seriedade e compromisso com a estabilidade e ancoragem das expectativas dos agentes econômicos. O mercado reagiu positivamente e, no dia seguinte, os juros futuros e a cotação do dólar caíram na abertura dos negócios. Mais detalhes a seguir.
Brasil – Política
O governo está direcionando seus esforços para reduzir despesas. A equipe econômica está revisando amplamente os gastos federais para alcançar equilíbrio fiscal, mas os investidores aguardam ações concretas. O encontro do presidente com a Junta de Execução Orçamentária (JEO) sinaliza uma mudança de foco e um primeiro passo significativo para possíveis cortes nos gastos.
Entre as medidas discutidas estão a revisão das renúncias fiscais, a melhoria dos registros de benefícios previdenciários e a Desvinculação das Receitas da União (DRU). A DRU permite ao governo usar livremente parte dos tributos federais, mas enfrenta resistência no Congresso. A proposta é modernizar as vinculações, alinhando o crescimento das despesas com o restante do orçamento, especialmente nas áreas de Saúde e Educação.
Outra medida em estudo é a suspensão dos benefícios tributários concedidos a determinados setores, que somaram R$ 519 bilhões em 2023. O governo precisa identificar quais benefícios são essenciais para a viabilidade econômica dos setores beneficiados.
A Previdência pública, com um déficit crescente que alcançou R$ 429 bilhões no ano passado, pode necessitar de uma nova reforma. Após a reforma de 2019, especialistas já alertavam que ela seria temporária, não resolvendo completamente os desafios demográficos e econômicos. Atualmente, a arrecadação da Previdência cobre apenas 73% das despesas, um percentual que diminui anualmente
Brasil – Indicadores econômicos
O Boletim Focus do Bacen mostrou uma grande deterioração nas expectativas, com alta da inflação e da Selic e queda no PIB. A estimativa do IPCA deste ano subiu novamente, desta vez de 3,90% para 3,96%, enquanto a previsão para 2025 avançou de 3,78% para 3,80%. A Selic sofreu uma alta de 25 pontos-base, com o mercado apostando em 10,50% em dezembro deste ano e 9,50% para dezembro de 2025. Na semana passada, esses números estavam em 10,25% e 9,25%, respectivamente. O crescimento do PIB recuou 1 ponto-base, de 2,09% para 2,08%, enquanto a previsão para 2025 se manteve em 2%.
O evento da semana foi a reunião do Copom, com o colegiado mostrando coesão e força diante das incertezas do cenário econômico atual. A autoridade monetária emitiu uma mensagem de seriedade e comprometimento com a ancoragem das expectativas dos agentes econômicos ao votar de forma unânime pela manutenção dos juros em 10,50% ao ano. A unanimidade foi interpretada pelo mercado de forma muito positiva e a consequência imediata foi a queda dos juros futuros e do dólar na manhã seguinte à decisão. Infelizmente, na mesma manhã, Lula voltou a distribuir críticas vazias e populistas, externando sua discordância com a decisão acertada do Bacen e o movimento otimista dos mercados foi revertido.
EUA
O feriado de Juneteenth (19 de junho), que celebra o fim da escravidão nos EUA, marca o início do verão no hemisfério norte e, consequentemente, uma queda na liquidez no mercado americano. Os indicadores econômicos divulgados nesta semana mostram evidências de um enfraquecimento da atividade, o que deve ajudar no controle da inflação. O destaque fica para as vendas no varejo em maio, que apresentaram uma recuperação muito abaixo das estimativas: apenas 0,1% de crescimento após a queda de -0,2% em abril. O mercado esperava uma alta de +0,3%. O núcleo das vendas, que exclui automóveis, repetiu a queda de -0,1% de abril, enquanto analistas esperavam +0,2%.
Mercado
Dólar
O Real é a moeda de pior desempenho contra o Dólar em uma cesta de 23 divisas de países emergentes. O fluxo cambial, via conta financeira, acumula uma saída de US$ 25,7 bilhões entre janeiro e junho deste ano. No mesmo período de 2023, houve uma saída de US$ 13,5 bilhões.
Com isso, o Dólar encerra a semana em alta de 1,1%, em R$ 5,44 e acumula um ganho de 12,2% no ano, superando, inclusive, o CDI.
Juros
O DI janeiro 2026 apresenta uma queda de 2 pontos base em sua taxa, encerrando a semana em 11,18%. Esse contrato havia registrado uma forte queda na taxa após a decisão unânime do Copom, mas a retomada das críticas do presidente Lula à instituição elevou o grau de incerteza e reverteu parte da queda dos juros futuros.
Commodities
O destaque das commodities desta semana fica para o petróleo, que subiu 3,1% e acumula um ganho de quase 13,4% no ano. A cotação do barril havia recuado para US$ 73 no início deste mês, mas, nas últimas duas semanas, subiu 10,2% e voltou a ser negociado por volta dos US$ 81 o barril.
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