A semana em 5 minutos
- joaobourdon8
- há 11 minutos
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“Se quiser fazer Deus rir, conte a Ele seus planos” - Woody Allen |
EUA
A semana resumiu-se ao chamado “Dia da Libertação”, como Trump batizou o 2 de abril — data em que foram impostas tarifas recíprocas a todos os países. Ao final da quarta-feira, o anúncio oficial foi pior do que o esperado, provocando uma forte queda nos mercados no dia seguinte e também hoje. O mercado esperava que a média das “tarifas recíprocas” girasse em torno de 20%, mas o percentual final ficou próximo de 29%. A metodologia inédita utilizada para determinar as tarifas baseou-se exclusivamente no déficit comercial de cada país em relação aos Estados Unidos.
A China pagará 34%, que, somados aos 20% anteriormente em vigor, resultam em uma tarifa total de 54%. O Japão será taxado em 24%, e a União Europeia, em 20%. Os países do Sudeste Asiático — onde diversas empresas americanas mantêm suas cadeias de produção — foram os mais impactados. Já México e Canadá foram poupados de novos aumentos, uma vez que já arcam com tarifas de 25%.
Analistas estimam que o impacto dessas tarifas, se mantidas, será um aumento de 1,2 ponto percentual no núcleo do PCE, o que pode elevar a inflação para 4,0% — o dobro da meta do Federal Reserve. A economia americana pode contrair 0,6%, um resultado desastroso para um país que vem crescendo, em média, 3,2% ao ano desde 1947. Segundo o J.P. Morgan, as chances de uma recessão global subiram para 60%.
O plano de Trump de reindustrializar os Estados Unidos é amplamente considerado inviável. Acredita-se que a imposição das tarifas seja, na verdade, uma estratégia agressiva para forçar os países a renegociar seus acordos comerciais, buscando condições mais favoráveis aos americanos. Caso isso ocorra, Trump estaria disposto a reduzir ou eliminar as tarifas, minimizando o impacto negativo sobre a economia global.
No entanto, China e União Europeia já anunciaram retaliações a produtos americanos, sinalizando o início de uma guerra comercial. Esse cenário pode resultar em uma destruição significativa de riqueza global, com retração no comércio internacional e aumento dos preços.
Por fim, as tarifas de 10% entrarão em vigor amanhã. Já as tarifas específicas e mais elevadas — direcionadas à Ásia e à União Europeia — passarão a valer apenas no dia 9, próxima quarta-feira. Trump criou essa janela de tempo com o objetivo de estimular negociações por iniciativa dos “parceiros” comerciais, possibilitando a suspensão das medidas. A incerteza deverá manter o movimento de reprecificação e queda dos ativos até lá, com o mercado atento a uma possível confirmação ou revogação das tarifas.
BRASIL
O Brasil foi poupado, recebendo a tarifa mínima de 10%, já que mantém superávit comercial com os EUA. O Brasil saiu ileso na quinta-feira, com a Bovespa em alta — na contramão das bolsas internacionais — e o dólar em queda. Isso se deve, em parte, ao fato de o país ter sido “poupado”, com a aplicação de uma alíquota mais branda, de apenas 10%. Além disso, cresceu a probabilidade de o Brasil conquistar novos mercados para seus produtos, especialmente nos Estados Unidos e na China, que devem reduzir drasticamente o comércio entre si.
Nesta sexta-feira, no entanto, o pessimismo tomou conta do mercado brasileiro. Uma guerra comercial dessa magnitude tende a provocar um empobrecimento generalizado em escala global.
Apesar do cenário adverso, o Brasil tem sofrido menos do que outros mercados, até o momento, por dois motivos principais:
Realocação de capitais – Investidores estão saindo da bolsa americana em busca de valuations mais atrativos. O Brasil, nesse contexto, apresenta oportunidades e tende a ser menos afetado pela guerra comercial do que outras economias emergentes, como México e China.
Expectativa de queda nos juros – Com a desaceleração econômica em curso, projeta-se um arrefecimento da inflação brasileira, o que abre espaço para o início de um ciclo de cortes na taxa de juros ainda este ano.
A Bovespa não conseguiu sustentar o otimismo nesta sexta-feira e caiu 3,2% no dia, acompanhando o movimento de queda das demais bolsas ao redor do mundo.
JUROS BRASIL
O contrato de DI para janeiro de 2027 recuou 75 pontos-base, com a taxa caindo de 15,05% para 14,30%, refletindo a crescente expectativa de uma recessão global.
JUROS EUA
Mesmo diante da perspectiva de aceleração inflacionária, o medo e a incerteza foram tão intensos que os investidores abandonaram as bolsas americanas e buscaram segurança nos Treasuries de 10 anos. Esse movimento derrubou o rendimento (yield) abaixo de 4,00%. A única consequência aparentemente favorável aos EUA, nesse contexto adverso, é o fato de o país precisar rolar US$ 9 trilhões em dívidas apenas neste ano — o que, com juros menores, representaria uma economia substancial. No entanto, o dano à reputação e à confiança global nos Estados Unidos pode se revelar irreversível.
MERCADOS GLOBAIS
A Bovespa não conseguiu sustentar o otimismo nesta sexta-feira e caiu 3,2% no dia, acompanhando o movimento de queda das demais bolsas ao redor do mundo. Apenas ontem, cerca de US$ 2,7 trilhões em valor de mercado foram evaporados do S&P 500, marcando o segundo pior dia nominal da história do índice — atrás apenas dos US$ 3,25 trilhões perdidos em 16 de março de 2020, quando o mercado global reagiu ao choque inicial da pandemia de Covid-19. A bolsa americana acumula uma queda de 6,3% apenas nesta semana.
Em meio ao cenário de aversão ao risco, o barril do petróleo tipo Brent recuou 8,8% na semana e já acumula queda de 11,8% no ano. Apesar do pessimismo generalizado, essa desvalorização do petróleo pode contribuir para a redução das pressões inflacionárias.
Até a próxima semana!

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